FRANGAÇO DE MUSLERA E RETRATO DE BIELSA: URUGUAI AMARGA ELIMINAÇÃO PRECOCE NA COPA 2026
- 27 de jun.
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Muslera, ao levar um frangaço contra a Espanha na última rodada da fase de grupos — eliminação que custou ao Uruguai a vaga no mata-mata da Copa do Mundo 2026 —, levou o narrador esportivo uruguaio à loucura, com direito a xingamentos ao vivo e lágrimas em cadeia nacional. O goleiro já havia falhado no jogo de estreia contra a Arábia Saudita, cedendo gol em bola defensável, e, desta vez, foi substituído por Marcelo Bielsa no intervalo. Fernando Muslera, que soma 137 jogos pela seleção celeste, deixa a competição sob vaias da torcida presentes no estádio e críticas contundentes da imprensa esportiva uruguaia, que já pedem a aposentadoria do arqueiro de 39 anos.

Muslera, atualmente no Estudiantes de La Plata, não deve pisar em solo uruguaio por enquanto — a repercussão negativa é tamanha que o jogador deve optar por permanecer na Argentina até que os ânimos se acalmem. No entanto, a derrota uruguaia não pode ser creditada total e unicamente ao goleiro. O maior responsável pela eliminação prematura é, mais uma vez, o técnico Marcelo Bielsa, que repete na Celeste o mesmo roteiro de fracasso que já havia protagonizado com a Argentina na Copa de 2002, quando também foi desclassificado ainda na fase de grupos — na ocasião, perdeu para a Inglaterra e empatou com a Suécia, quebrando milhares de apostadores mundo afora que viam a Albiceleste como favorita.

Bielsa, tido por muitos como "visionário" e "professor do futebol", acumula um currículo de eliminações vergonhosas que contradizem sua fama de gênio tático. Com a Argentina, caiu na primeira fase em 2002 com um time que tinha Crespo, Batistuta e Verón — talvez a maior decepção argentina em Copas. Com o Chile, embora tenha levado a equipe à semifinal da Copa América de 2011, perdeu o título nos pênaltis para o Paraguai e, nas Eliminatórias para 2014, deixou a equipe fora do Mundial após campanha irregular. Agora, com o Uruguai, repete o fracasso em 2026, com apenas dois empates em três jogos e um saldo de gols negativo — o pior desempenho uruguaio em fases de grupos desde 1974.

Conhecido pelo temperamento explosivo, gritos constantes à beira do campo e comando autoritário sem postura de liderança efetiva, Bielsa mais uma vez mostrou que sua metodologia não se traduz em resultados em competições de curta duração. Suas escalações duvidosas na Copa 2026 foram alvo de críticas: insistiu em três zagueiros lentos contra atacantes velozes, escalou meias sem poder de marcação diante da Espanha e ignorou jovens promissores do banco em favor de veteranos em má fase. A derrota por 1 a 0 para os espanhóis expôs todas as fragilidades táticas do treinador, que não soube ler o jogo nem ajustar o time nos momentos críticos.

Assim, o Uruguai despede-se do Mundial 2026 não por obra do acaso ou de um único frangaço de Muslera, mas por um colapso coletivo que tem em Marcelo Bielsa seu arquiteto maior. O técnico, que agora acumula três eliminações em fases de grupos com três seleções diferentes (Argentina 2002, Chile nas Eliminatórias de 2014 e Uruguai 2026), vê sua reputação internacional ser questionada como nunca antes. Enquanto a torcida uruguaia pede cabeças e a imprensa cobra renovação, Bielsa segue inabalável em sua obsessão tática — mas os números não mentem: em Copas do Mundo, seu aproveitamento é de apenas 38% das partidas, o pior entre técnicos sul-americanos com mais de 10 jogos no torneio. O legado do "Loco" parece, cada vez mais, o de um treinador que encanta os olhos, mas frustra os resultados.
Por: João Bosco










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